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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

DONOS DE ANIMAIS TEM CORAÇÃO MAIS SAUDÁVEL



Segundo pesquisa japonesa, aqueles que convivem com um pet apresentam mais variabilidade do ritmo cardíaco, isto é, seus corações respondem melhor às exigências do corpo

Portadores de doenças crônicas que possuem mascotes parecem ter corações mais saudáveis do que aqueles que vivem sem um animal de estimação - seja de pelos, penas ou escamas, diz um novo estudo japonês.
Para estudiosos, os mascotes são uma forma de apoio social, e por isso reduzem o estresse
Na pesquisa publicada no American Journal of Cardiology, os cientistas que estudaram quase 200 pessoas descobriram que aqueles que tinham um pet contavam com mais variabilidade do ritmo cardíaco do que os que não tinham um animal.
Isso significa que seus corações respondem melhor às exigências das mudanças corporais, como bombear sangue mais rapidamente em situações de estresse. Uma variabilidade reduzida está associada ao maior risco de morrer por problemas do coração.
"Entre os pacientes com doença coronária, os donos de mascotes mostram uma sobrevida um ano maior do que os que não têm bichos, diz o autor, Naoko Aiba, da Universidade de Kitasato, no Japão.
No estudo, a equipe avaliou 191 pessoas com diabetes, pressão arterial elevada ou colesterol alto durante 24 horas usando um monitor cardíaco durante todo o tempo. A faixa etária estava entre 60 e 80 anos.
Os pesquisadores também perguntaram sobre as atividades diárias e sobre se tinham ou não animais domésticos. Nos donos de pets, cerca de 5% das batidas do coração diferiam em 50 milésimos de segundo em extensão, contra 2,5% dos que não tinham animais. Isso significa que o ritmo cardíaco mudava menos.
Até agora, não se sabe o que causa a diferença. Pode ser em função dos animais, ou pode ser que haja diferenças entre os que escolhem ter pets e os que não querem bichos.
"Suponho que os mascotes são uma forma de apoio social, e por isso reduzem o estresse e podem satisfazer algumas necessidades de companhia", dizem os Judith Siegel, da Faculdade de Saúde Pública da UCLA, que não participou do estudo.
"Não creio que ninguém tenha uma boa referência sobre essas discrepâncias", acrescentou. Os autores ressalvam que eles seguiram os voluntários apenas por um dia e que outros fatores deveriam ser levados em conta, como diferenças potenciais entre os tipos de animais.
Erika Friedmann, da Escola de Enfermagem da Universidade de Maryland, considera que o estudo dá um passo em algo já conhecido - a conexão entre ter um mascote e saúde. "Estamos entrando na vida diária da pessoa, e isso é emocionante", disse ela, que não participou da pesquisa.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SUIÇA CRIA CIDADE RETRÔ PARA TRATAR ALZHEIMER


Haute-Argovie de Wiedlisbach

Roberta Namour – correspondente do 247 em Paris – Em alguns meses, o famoso hospício suíço de Haute-Argovie de Wiedlisbach vai se transformar numa cidade inspirada nos anos 50. Baseado em um modelo holandês, uma empresa decidiu construir uma atmosfera retro para pacientes com Alzheimer que costumam ter falhas de memória recente, mas guardam lembranças mais claras do passado. A abordagem tem sido questionada por alguns especialistas.

Os críticos apelidaram o lugar de « Demênciacity ». Mas a Suíça não parece se importar com isso e mantém sua ideia focada em ajudar desta forma idosos que sofrem também de outras doenças neurodegenerativas.

O empresário suíço Markus Vögtlin investiu 20 milhões de euros na construção desse complexo, que será instalado na cidade de Wiedlisbach, perto de Berna. Hospedagem e cuidados médicos são previstos para receber 150 pacientes idosos que sofrem do problema, divididos em 23 edifícios com decoração dos anos 50.

Os idealizadores do projeto garantem que as portas da « cidade » não serão mantidas fechadas e os moradores poderão circular livremente. Para a diretora da Associação de Alzheimer da Suíça, Birgitta Martensson, esse é um dos pontos mais positivos dessa experiência. "Poder gerenciar suas próprias atividades diárias motiva e mantém as suas capacidades remanescentes. Isso resulta em menos frustração, menos estresse e menos trabalho para os cuidadores", explicou.

Para reforçar o clima de normalidade, os funcionários vão se vestir como jardineiros, cabeleireiros ou comerciantes. Única restrição: os habitantes de Wiedlisbach não serão autorizados a deixar a aldeia.

A abordagem foi inspirada num projeto inovador, mas controverso, no campo psicogeriátrico, da Holanda. Uma casa de repouso de Hogewey para pessoas com demência foi criada nos arredores de Amesterdã, em 2009. Os moradores pagam 5 mil euros por mês para viver em um mundo de ilusões.

Markus Vögtlin visitou Hogewey antes de lançar seu projeto. "As pessoas com Alzheimer podem se tornar agitadas e agressivas, mas em Hogewey, eles parecem relaxadas e felizes", relatou.

Assim como no resto da Europa, a Suíça pena a vencer a crescente população com doenças neurodegenerativas. No país, acredita-se que existam mais de 100 mil idosos com transtornos mentais e este número deve dobrar nos próximos vinte anos. A medida certamente ainda causará muita polêmica, mas ao menos é uma tentativa de proporcionar uma vida mais adequada a pessoas que já não se encaixam mais na sociedade atual.
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