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sábado, 18 de agosto de 2012

AVC - ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL

Acidente Vascular Cerebral


O acidente vascular cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral, pode ser de dois tipos:
a) Acidente Vascular Isquêmico – falta de circulação numa área do cérebro provocada por obstrução de uma ou mais artérias por ateromas, trombose ou embolia. Ocorre, em geral, em pessoas mais velhas, com diabetes, colesterol elevado, hipertensão arterial, problemas vasculares e fumantes.
b) Acidente Vascular Hemorrágico – sangramento cerebral provocado pelo rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo, em virtude de hipertensão arterial, problemas na coagulação do sangue, traumatismos. Pode ocorrer em pessoas mais jovens e a evolução é mais grave.
Sintomas do AVC
a) Acidente Vascular Isquêmico
* Perda repentina da força muscular e/ou da visão;
* Dificuldade de comunicação oral;
* Tonturas;
* Formigamento num dos lados do corpo;
* Alterações da memória.
Algumas vezes, esses sintomas podem ser transitórios – ataque isquêmico transitório (AIT). Nem por isso deixam de exigir cuidados médicos imediatos.
b) Acidente Vascular Hemorrágico
* Dor de cabeça;
* Edema cerebral;
* Aumento da pressão intracraniana;
* Náuseas e vômitos;
* Déficits neurológicos semelhantes aos provocados pelo acidente vascular isquêmico.
Recomendações
* Controle a pressão arterial e o nível de açúcar no sangue. Hipertensos e diabéticos exigem tratamento e precisam de acompanhamento médico permanente. Pessoas com pressão e glicemia normais raramente têm derrames;
* Procure manter abaixo de 200 o índice do colesterol total. Às vezes, só se consegue esse equilíbrio com medicamentos. Não os tome nem deixe de tomá-los por conta própria. Ouça sempre a orientação de um médico;
* Adote uma dieta equilibrada, reduzindo a quantidade de açúcar, gordura, sal e bebidas alcoólicas;
* Não fume. Está provado que o cigarro é um fator de alto risco para acidentes vasculares;
* Estabeleça um programa regular de exercícios físicos. Faça caminhadas de 30 minutos diariamente;
* Informe seu médico se em sua família houver casos doenças cardíacas e neurológicas como o AVC;
* Procure distrair-se para reduzir o nível de estresse. Encontre os amigos, participe de atividades culturais, comunitárias, etc.
Fatores de risco
Os fatores de risco para AVC são os mesmos que provocam ataques cardíacos:
* Hipertensão arterial;
* Colesterol elevado;
* Fumo;
* Diabetes;
* Histórico familiar;
* Ingestão de álcool;
* Vida sedentária;
* Excesso de peso;
* Estresse.
Tratamento
Acidente vascular cerebral é uma emergência médica. O paciente deve ser encaminhado imediatamente para atendimento hospitalar. Trombolíticos e anticoagulantes podem diminuir a extensão dos danos. A cirurgia pode ser indicada para retirar o coágulo ou êmbolo (endarterectomia), aliviar a pressão cerebral ou revascularizar veias ou artérias comprometidas.
Infelizmente, células cerebrais não se regeneram nem há tratamento que possa recuperá-las. No entanto, existem recursos terapêuticos capazes de ajudar a restaurar funções, movimentos e fala e, quanto antes começarem a ser aplicados, melhores serão os resultados.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Vaidade significa vitalidade para idosos




Rotina de exercícios e cuidados com a saúde, aliada ao desempenho de atividades de lazer e entretenimento, torna a passagem pela “melhor idade” bem mais suave.
A rotina das gêmeas Ana Paulino Galvão e Maria Paulino Galvão, de 82 anos, é de causar inveja a muitos jovens. Elas frequentam academia de ginástica, viajam pelo Brasil e para o exterior, saem com os amigos e não dispensam uma boa dança. A cada cinco anos, celebram a vitalidade e comemoram o aniversário em grande estilo. Na segunda metade da vida, mostram que aceitar os cabelos brancos é uma arte e que a vaidade não está ligada à faixa etária.

“Faço exercícios toda manhã. Pela saúde e pela beleza, que faz parte de todo ser humano. Ninguém quer ser feio, mas chega um momento na vida que o belo passa a ser o que você tem para passar aos demais. A beleza está na maneira de falar, de agir e de mostrar o que você já viveu”, ensina D. Ana. Contrariando o senso comum e despistando a severidade do tempo, as duas senhoras do Piauí vão vivendo e ensinando a viver.
Elas vieram para Cuiabá participar de um encontro da “melhor idade” semana passada. Ultrapassar os 80 anos com tanta energia é uma façanha pouco comum em algumas regiões ocidentais, mas o professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Koiti Anzae, mostra que tudo é uma questão de preparo, disciplina e vaidade.
“A vaidade positiva é muito importante. As pessoas têm que se preparar para o envelhecimento. Muitas mulheres fazem plásticas, mas isso pode ser bobagem. Uma hora não vai dar mais e ela vai ter que aceitar. O importante é se cuidar, gostar de si, sem se prender ao status da beleza que é cultivada pela mídia”, diz o especialista em atividades físicas para a terceira idade.
Por mais clichê que possa parecer falar na prática de exercícios físicos, de fato eles são fundamentais para estender a autonomia corporal durante a velhice. Algumas pequenas atividades têm influência direta na rotina de um idoso e podem ajudá-lo a não ficar dependente de terceiros para realizar simples tarefas. “Tem alguns idosos que não têm força nem para levantar o garfo e comer”, aponta Anzae.
O professor universitário afirma que a fraqueza é reflexo do sedentarismo e da falta de exercícios para os músculos. “Malhar não serve apenas para ficar com o corpo sarado. Quem não faz trabalhos para fortalecer a musculatura encontra dificuldades quando a idade avança. Até levantar de uma cadeira fica difícil. O primeiro grau de dependência é ter que se apoiar nas coisas; o segundo, precisar de ajuda dos outros; o terceiro, ser carregado e o último, ficar só deitado”, enumera.
Há ainda outros três aspectos que podem amenizar as limitações naturais do envelhecimento. Manter a mente ativa é um deles. Com as atividades intelectuais, a neurotrofina (proteína encontrada no cérebro relacionada à paixão e à atividade sexual no início de relacionamentos), que liga os hormônios, é estimulada. Sem ela, a incidência da demência, do esquecimento e do mal de Alzheimer são acelerados. Por isso, a prática de xadrez e palavras cruzadas é recomendável.

Os trabalhos aeróbicos são outro fator que mantém a vitalidade. Caminhar, nadar e andar de bicicleta por 30 minutos, três vezes por semana, é importante para a desenvoltura do sistema cardiovascular. As atividades estimulam o envio de oxigênio para o corpo, evitando a morte precoce das células. O último aspecto que vale destacar é o cuidado com as articulações.

A prática de alongamento mantém as articulações flexíveis. Quando os movimentos são executados, o corpo libera o líquido sinovial, que desacelera o enrijecimento das articulações. Assim, agachar-se, vestir-se, usar o toalete sem ajuda e tomar banho passam a ser tarefas possíveis na terceira idade desde que alguns exercícios sejam adotados.
O professor garante que seguindo as orientações é possível chegar à idade das gêmeas com a mesma disposição das duas. “Quem não se atenta para isso paga um preço muito caro na velhice. Não há nada pior do que ficar no canto abandonado. É esse aspecto da vaidade que a sociedade tem que perceber. O cuidado que passa da estética e leva à disposição, à energia e à vitalidade”, orienta Anzae.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

VALORIZAÇÃO DO IDOSO





   Educar é o prolongamento do ato de gerar. É na família que a criança cresce segura e respeitada. É ali que ela experimenta o amor, crescendo feliz e equilibrada. Na família, também, a vida é protegida durante a fase da velhice. Sem uma família que o ampare, o idoso não tem condições de viver bem e gozar de alguma saúde.
   Na velhice, todas as faculdades físicas enfraquecem. Os olhos já não enxergam como antes, os passos agora são lentos e muitas vezes precisam do apoio de bengalas, os ouvidos já não ouvem bem, os dentes já não são fortes como antes, os braços já não podem fazer força, o corpo dói com facilidade porque os músculos são frágeis e todos os órgãos já estão cansados. Facilmente, a doença se instala.
   É lamentável que muitas pessoas só percebam e respeitem essa realidade quando elas próprias chegam à velhice. Quando jovens e ágeis, não percebem a fragilidade do ancião e não lhes dão a devida atenção.
    Devemos refletir mais sobre isso. Os idosos de hoje foram aqueles que construíram o mundo até aqui. Agora, não podendo contar com o mesmo vigor de antes, acabam dependendo dos cuidados dos mais jovens. É justamente nessa hora que a família tem a possibilidade de retribuir ao idoso tudo o que ele fez antes, ajudando-o sempre que necessário, amparando-o.
   Dizem que um pai é capaz de criar dez filhos, mas, às vezes, esses dez filhos depois não são capazes de cuidar desse pai. Quantos pais estão dolorosamente abandonados na solidão de um quarto, ou, quem sabe, em um asilo? Muitas vezes, a solidão é mais fatal do que a doença. De muitos olhos cansados correm lágrimas de tristeza e de saudade dos seus.
   Não basta dar aos velhos um lugar para viver, se for para ficarem longe de suas famílias. É preciso mais. É indispensável o calor do lar, a companhia dos filhos e dos netos que também ajudou a criar. Nessa hora é que a gente enxerga a verdadeira família.
   Quem de nós não quer ter vida longa sobre a terra? Quem de nós não quer ser feliz nesta vida?
   São muitos os méritos do bom filho, àquele que cuida bem dos seus pais, especialmente quando eles já estão no final da vida. Muitos filhos, nas atribulações do dia-a-dia, acabam se esquecendo dos pais idosos, faltando-lhes o carinho, a companhia e o sustento. Sabemos que é difícil cuidar dos velhos doentes, às vezes ranzinzas. Mas é nesta hora, sobretudo, que se prova o amor dos filhos por eles.
   Se a nossa caridade para com os outros irmãos não é esquecida por Deus, quanto mais a caridade para com nossos pais. Uma boa maneira de ajudar o idoso a viver bem é dar-lhe a oportunidade de trabalhar dentro de suas possibilidades. Se o seu corpo agora é fraco, no entanto a sua experiência é valiosa, a sua sabedoria é grande. Saibamos beber nesta fonte de graça.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Fogos de artifício causam poluição sonora no fim do ano



Perigo para a audição que começa bem antes do Réveillon.
 Troca de presentes, mesa farta, clima de fraternidade… o mês de dezembro é repleto de motivos para comemorar. No entanto, uma tradição desta época do ano pode causar problemas de saúde: o excesso de barulho, principalmente os que são provenientes de fogos de artifício.
A poluição sonora no final do ano atinge níveis intensos, mas os shows pirotécnicos produzidos pelos fogos de artifício possuem um potencial de dano que costuma ser subestimado, o som de alta intensidade produzido pela pressão das explosões pode causar danos auditivos.
O maior problema é quando os fogos explodem perto de pessoas. Além da possibilidade de lesões superficiais, áreas vitais podem ser atingidas, como a cabeça e o pescoço, que concentram importantes órgãos dos sentidos, como a visão e a audição. A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que 10% da população mundial apresenta algum problema auditivo e os países em desenvolvimento possuem 80% dos casos. De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de seis milhões de brasileiros têm deficiência auditiva, 8% da população.
Em geral, as pessoas pensam que o zumbido e a sensação de diminuição de audição que se seguem a um evento explosivo são um fenômeno natural. Na maioria dos casos, se estes desaparecem, elas não procuram uma avaliação auditiva e acabam não sabendo se está de fato tudo bem. As lesões de ouvido podem ir desde a perda auditiva, caracterizada pela sensação de som abafado e zumbido, até a perfuração da membrana timpânica por ação de um rápido deslocamento de ar durante o evento explosivo.
Um estudo publicado na revista Laryngoscope, por Gupta e colaboradores (1989), já citava que a média de som medida há três metros da explosão de fogos de artifício é de 150 dB, o que excede o critério de risco para audição em eventos instantâneos. Ruídos acima de 85 decibéis são prejudiciais à saúde auditiva e quanto mais repetitivos e/ou altos eles forem, principalmente acima de 120 db, pior será o dano na cóclea, órgão responsável pela audição sensorial.
Estudos mostram que, mesmo após a cessação do zumbido e da sensação de ouvido tampado, o indivíduo pode ter sofrido perda de audição. Por isso, o ideal é que sempre se procure um otorrinolaringologista para uma avaliação auditiva. É preciso redobrar a atenção com crianças e idosos, pois nem sempre eles sabem informar o que estão sentindo após a exposição a um barulho intenso, como o de fogos de artifício. Apreciar as explosões de longe assegura um final de ano sem danos à saúde dos ouvidos.

FELIZ ANO NOVO!

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O DIREITO DO IDOSO DE TER UMA ACOMPANHANTE NO HOSPITAL




 O Estatuto do Idoso, em seu artigo 16, elucida que: “Ao idoso internado ou em observação é assegurado o direito a acompanhante, devendo o órgão de saúde proporcionar as condições adequadas para a sua permanência em tempo integral, segundo o critério médico”. Daí, são necessárias algumas observações, as quais serão discutidas a seguir:

O Estatuto elucida claramente que o idoso tem direito a um acompanhante quando em situação de hospitalização. Este costuma ser um dilema para muitos familiares, pois muitos não podem deixar sua vida cotidiana (trabalho, cuidado de filhos pequenos, etc.) para ficar em tempo integral num hospital. Infelizmente a maioria das instituições empregadoras não aceitam comprovantes da hospitalização do idoso como meio de abonar a falta do familiar que seja acompanhante.

Outras famílias não querem se organizar para garantir um acompanhamento ao idoso, tornando possível perceber que a hospitalização do idoso aparece como uma forma cômoda da família se ver livre daquele idoso que, devido ao seu estado de saúde, vem trazendo uma série de transtornos à família.

O Estatuto elucida que o hospital deve oferecer condições adequadas para a permanência do acompanhante, porém, infelizmente sabemos que esta nem sempre é a realidade de todos os hospitais públicos brasileiros.

Fica claro no Estatuto que a presença de um acompanhante é um direito do idoso, mas este não precisa, necessariamente, ser um membro da família. A presença de um familiar é  importante , porém, quando nenhum familiar pode ficar presente durante o período de hospitalização, a família pode contar com a ajuda, por exemplo, de um amigo, um vizinho, um parente distante, ou de um cuidador ou acompanhante profissional.

Por que a presença de um membro da família se faz importante? Por três motivos principais. Inicialmente, porque a hospitalização traz a todos nós sentimentos de medo, impotência e fragilidade. Ter alguém de confiança por perto neste momento traz um maior sentimento de acolhimento e segurança. O segundo motivo diz respeito à necessidade de ter presente alguém responsável pelo idoso que pode estar dependente definitiva ou temporariamente. É essencial ter alguém para conversar com os profissionais de saúde sobre o estado geral do idoso, receber notícias de diagnósticos, informações relevantes sobre procedimentos, tratamentos e medicações a serem administradas quando o idoso estiver em casa. O último motivo diz respeito ao idoso com comprometimento cognitivo, em especial portadores da Doença de Alzheimer. Nestas pessoas, mudanças bruscas de ambiente e a presença de pessoas diferentes podem causar um estado de grave confusão mental e irritabilidade, e a presença de alguém conhecido do idoso pode ajudar a aliviar esta confusão e a irritação.

Os hospitais geralmente exigem que o acompanhante de idosos internados em enfermarias
coletivas seja alguém do mesmo sexo, mas por que isto acontece? Em respeito ao pudor dos pacientes internados na mesma enfermaria. Muitas vezes os pacientes são sujeitos a procedimentos que expõem sua intimidade, por isto não é adequada a permanência de pessoas do sexo oposto (que não trabalham na área da saúde) neste local. Em casos especiais, onde realmente não existe a possibilidade de manter um acompanhante do mesmo sexo do idoso na enfermaria, esta pessoa deve ter o bom senso de se retirar do local sempre que algum destes procedimentos for realizado com um dos internos.

A equipe de enfermagem pode precisar realmente do auxílio do acompanhante na realização das atividades cotidianas, especialmente no caso de hospitais com grande número de pacientes hospitalizados. O acompanhante deve sempre colaborar neste sentido.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

TEMPOS MODERNOS :: MERCADO DE TRABALHO PARA A TERCEIRA IDADE



Em 2050, 30% da população brasileira terá mais de 60 anos - hoje eles somam apenas 5,8%. Diante dessa estatística, o Brasil começa a entrar no padrão europeu e americano no que diz respeito à terceira idade: oferece opções de lazer e consumo compatíveis e de alta qualidade, (re)abre portas - e cria novas possibilidades - no mercado de trabalho e acena com simpatia para as relações que se formam depois dos netos nascidos.
As empresas descobriram esse filão, um verdadeiro tesouro de mercado. Na tevê, uma propaganda de telefonia celular sinaliza os ventos de mudança. No filme, a avó conversa animada com o namorado ao telefone, sob o olhar e os comentários desaprovadores do neto adolescente, que comemora o fato de o pretendente morar em outra cidade. Quando o idoso bate à porta, em visita à amada, o menino ensaia uma cena de ciúme. Mas logo surge uma neta coquete. E o casal maduro ganha o aval do garoto instantaneamente.
O mercado de trabalho é um sinal de transformação. Com uma carência cada vez maior de profissionais especializados, como na área de engenharia, cujo boom nas universidades foi na década de 1970, os mais experientes estão valorizados e muitas vezes são chamados de volta ao mercado, em ebulição com a efervescência da construção civil nacional. Em suma, o paradigma de que quem chegou aos 40 ficou velho, definitivamente, caiu em desuso.
O programa "Globo Repórter" de 15/07/2011 tem como título: Emprego garantido: oferta aumenta para pessoas com mais de 60 anos.

Envelhecimento da população desafia o mercado

Interesse pela mão de obra de idosos cresce, mas não acompanha acelerado avanço da faixa etária

Por Chico Otávio

Procura-se profissional acima dos 60 anos... Para um mercado de trabalho que insiste em enxergar o Brasil como um país jovem, o anúncio de emprego pode sugerir um trote. Mas não é. Gente como o comerciante Antônio Fiori, a empresária Márcia Lima Gabionetta e a assistente social Renata Hauck faz parte de um pequeno, mas promissor, grupo de empregadores que resolveu trocar o vigor da juventude pela experiência e a assiduidade dos mais velhos. Para as vagas abertas em seus negócios, eles optaram pelo trabalhador idoso.

As projeções indicam que o país a ser revelado pelo Censo 2010 do IBGE terá um contingente de 14 milhões de idosos. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) reforçam o fenômeno: se a população total cresce à taxa de 0,9% ao ano, o incremento de pessoas acima dos 60 anos avança quatro vezes mais (3,8% anuais). Para muitos, os números sinalizam um problema quando cruzados com as contas da Previdência ou com o sistema de saúde. Há outros, porém, que preferem entende-los como nicho de negócios:

- O retorno é garantido. Os idosos são pessoas responsáveis e centradas. Não dão trabalho, não faltam. Já os jovens têm outras ambições, como as baladas do fim de semana - afirma o comerciante paulista Antônio Fiori, dono de uma fornecedora de areia e pedras, que acaba de contratar um idoso para gerente.

Como o país está envelhecendo, o desafio civilizatório que se impõe, preveem os demógrafos, é aumentar a idade produtiva da população. Em vez de estimular a ociosidade da terceira idade ou alterar o fator previdenciário, para evitar que o equilíbrio atuarial fique insustentável, a alternativa seria dotar os idosos de capacidade física para adiar a retirada da vida produtiva.

- O Brasil não estava preparado para envelhecer. Se a perspectiva era se aposentar e viver no máximo oito anos, hoje a pessoa chega a ter mais 20, 30 anos de vida. Nenhuma sociedade pode jogar fora essa mão de obra - diz o médico Renato Veras, diretor da Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati/Uerj).

No caminho de volta ao mercado, o aposentado tem deixado a carteira de trabalho em casa. Quase metade dos trabalhadores ocupados acima dos 60 anos (44%) é autônoma, enquanto 31,4% são assalariados, 9,8%, empregados domésticos e 9,7%, empregadores.

- Há dois tipos de idosos no mercado informal: o mais escolarizado, que geralmente é um profissional liberal e se beneficia de sua experiência, e o menos escolarizado, que encontramos muito na agricultura - explica a economista Ana Amélia Camarano, coordenadora de Pesquisa em População e Cidadania do Ipea.

No ano passado, 55% da população masculina entre 60 e 69 anos ainda trabalhavam. Muitos, principalmente nas faixas de renda mais baixas, prolongaram a idade produtiva para reforçar a diminuta aposentadoria quando a família cresceu. Um deles é Horacildo de Castro, de 69 anos, que virou homemplaca pelas ruas de São Paulo.
Ex-metalúrgico da Mafersa, Horacildo passou em casa os primeiros anos da aposentadoria, na década de 90. Até que a sua mulher resolveu adotar uma recém-nascida. Desde então, o velho operário do aço trabalha com outros metais: fica nove horas por dia na rua para ganhar R$ 20 anunciando a compra de ouro, platina e brilhantes.
- Sem o biscate, não daria para criar a menina. Carrego a placa faça chuva, faça sol. Os seguranças das lojas vivem me tocando para outro lugar - diz o homem-placa, cuja filha de criação já tem 15 anos.

Mas, apesar das intempéries, Horacildo segue em frente. E é isso que encanta os empregadores que têm optado pela terceira idade. Com o idoso, não há tempo ruim. Principalmente quando o desafio profissional é conviver com pessoas da mesma idade.

A assistente social Renata Hauck ajudou a tia, médica, a procurar uma aposentada para ser funcionária do seu consultório, em Belo Horizonte:

- Jovens têm sempre problemas. O namorado ou o filho pequeno. Se faltam, não há como minha tia fazer os procedimentos do consultório. Aposentada não tem filho pequeno. Contratamos uma senhora simpática, com experiência de vida. Passa algo agradável às pacientes na sala de espera.

O aposentado representa um baixo custo. Não faz questão de carteira assinada e vê o salário como um complemento de renda. Há casos em que nem salário é necessário. Com vasta experiência acumulada, saúde e vontade de contribuir, o aposentado abraça o voluntariado.

Na prefeitura de Niterói, por exemplo, os responsáveis por licitações suam frio quando chega o aposentado Guilherme Magalhães. Ele é um dos trabalhadores idosos qualificados que fazem da experiência a senha para o reingresso na vida produtiva. Ex-gerente de Negócios do Banco do Brasil, onde trabalhou por 32 anos, Magalhães é hoje fiscal voluntário do Observatório Social da cidade, ONG de olho nas contas municipais.
- As pessoas não acreditam que você pode mudar a realidade. Além disso, precisamos nos sentir produtivos, mesmo sem remuneração - orgulha-se Magalhães.

Não são poucos os casos de aposentados que, sentindo-se produtivos, encontraram as portas do mercado fechadas ou quebraram a cara ao tentar um negócio. O paulista Luiz Pinto Cepinho, também bancário, aderiu ao plano de demissões voluntárias do BB, montou restaurante e faliu. Hoje, sobrevive como fotógrafo de festas, e luta para voltar ao BB pela via judicial.

Demissões espontâneas, aposentadoria compulsória e outros mecanismos encurtam a vida ativa de milhares de trabalhadores. Há lugares, porém, em que a experiência com os mais velhos foi tão boa que motivou a continuidade:

- Perdi um serralheiro que ainda trabalhava quando morreu aos 80. Para substituí-lo, quero outro idoso - diz a empresária Márcia Lima
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